E em cima das pedras ouço o barulho do mar, o calor do sol, e o frescor dos ventos.
Juntando tudo, ouço uma melodia calma, e leve.
Ergo minhas asas, e vôo o mais alto que eu puder.
Até que o ar fique suspenso, e minhas asas não puderem mais agüentar.
E caio com as asas fechadas, e de bico apontado em direção às águas.
Chegando perto do azul negro do oceano, abro as asas para me equilibrar, encostando a barriga sobre a água gelada.
Pego embalo com o vento, e subo mais uma vez.
Fecho os olhos, e a imensidão do mundo me leva.
Não tenho mais medo do que vier pela frente, sinto-me firme, dessa vez.
Um pouco machucada, com as asas calejadas.
E o coração palpita a cada aterrissagem.
Abro os olhos e me encontro lá no alto, olhando de cima, para o que está lá em baixo.
Busco o que ainda há para se buscar, e ouço as batidas do meu coração acelerar.
É inverno, e o vento forte que avisa que há de vir tempestade, sobre meus ouvidos.
Nada mais me resta, dor, compasso, escuridão. Fico e sinto a tempestade.
Chuva, frio, ondas. E tudo que eu faço é voar em direção contrária aos ventos.
A tormenta começa, e minhas asas não agüentam.
Volto à pedra, e me abrigo só, no vão que encontro entre uma pedra e outra.
O barulho que os pingos da chuva fazem quando encontram o mar, é harmonioso e compassado.
Como o bom sentido, como uma melodia perfeita, como o encontro perfeito entre duas coisas infinitas. E de trás, os relâmpagos fazendo da festa, claridade. Fazendo do fundo, tristeza. Trovões fazendo o apego ir embora, e descompassado às notas dissonantes.
Como o bom sentido, como uma melodia perfeita, como o encontro perfeito entre duas coisas infinitas. E de trás, os relâmpagos fazendo da festa, claridade. Fazendo do fundo, tristeza. Trovões fazendo o apego ir embora, e descompassado às notas dissonantes.
Fecho os olhos por um instante deixando que apenas meus instintos me levassem a crer em qualquer coisa não dita, em qualquer coisa que ainda não pudesse sentir.
E de uma forma estranha, escuto as batidas do meu coração, quase como se pudesse conversar com os meus pensamentos. Quase como se chorassem por solidão. Quase como se pedisse abrigo, e calor.
E chorando, sem lágrimas.
Poderia tentar voar por cima das nuvens para cessar a dor, mas de nada adiantaria. Continuaria a ouvir os resmungos do meu próprio coração.
Obsoleto, eu sei. Ou não. Só sinto.
E a parte que mais gosto, enquanto há tempestade, é no que vem depois. É ver o céu abrir, as nuvens escuras desaparecerem como se fossem apenas um momento de desabafo. E então a chuva cair mais calma, como se já estivesse feito o que tinha de fazer. Como se já estivesse se soltado do que a agoniava. Como se chorasse tudo que tivesse que chorar, e agora era só lamentação.
Era como me sentia, era como meu coração reagia.
E então o mar, que outrora estava agitado, agora era sonhador e manso; sublime.
Era a imensidão das coisas, e eu só.
Era o acumulo de notas tonantes, vindo de dentro, o que me fazia gemer.
Tudo aquilo que agora eu enxergava, com os olhos abertos, não era nada daquilo que imaginava enquanto meus olhos estavam fechados.
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